quarta-feira, 9 de junho de 2010

Aqui dentro

Dentro de mim...

Tem um sonho,

Tem um trono.

Dentro de mim é lindo quase sempre.

Tem um céu claro,

Tem o canto dos pássaros...

Tem espécies em extinção.

Dentro de mim nada é impossível,

Tudo pode acontecer...

Tudo é azul ou rosa talvez.

Dentro de mim cabe você.

É pra você,

Tem um lugar só seu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Meu caminho

Pés descalços,
Areia inflama,
Gotas de orvalho.
Sinto-me chama,
Sem vento,
Sem culpa.
De que me valem os sorrisos se não duram.
Tudo tem fim, mais belo é o começo.
Entardeço leve.
Sombras do outono.
Gritos,
Vazio.
Já é tarde,
Não há nuvens no céu...
A chuva com certeza não vem.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Oceano

Mel amargo,

Doce fel,

Que mais posso dizer-te?

As plumas são pretas.

A nau descontrola,

Cansaste?

Mas as águas jorram,

A madeira é velha.

Peixes não mais.

A vida se foi,

Mas voltam, quem sabe...

O tempo também não vai?

Acuas o tempo.

Confia e desespera.

Amigo não chores,

Enterras as lágrimas,

Agoas as mágoas.

Não são os mesmos...

Fique tranqüilo,

A vida se renova.

Percepção

Azul...

Claro,

Paro,

Sinto,

Calmo,

Distante,

Dentro,

Fora,

Triste.

Não chegues tão perto...

Não se vá.

Fica mais um pouco,

Tem água no copo,

O macarrão está na mesa.

A fechadura quebrou.

domingo, 25 de abril de 2010

Primavera

Eterno vazio de breve ser,

Despedir-me sem culpas,

Se nada posso fazer.

Outras vidas virão...

Outros sonhos virão.

Tudo igual,

Sonhos iguais,

O prazer de não ter.

Encontro no deserto.

Sem sol no meio dia.

Se foi a primavera.

Sem tortas de chocolate.

A varanda exala teu cheiro,

Avesso,

Sem preto,

Assustas,

Balanças,

A folhas se vão,

Sem flores,

Sem amores.

O amar

O amar nunca foi humano,
Nós o tentamos controlar,
Mas como controlar o desconhecido?
Se este, se faz conhecido em parte, se vai, diz-se eterno,
Mas quem o disse já morreu,
E esse frio que não passa,
E esse calor que me acaba.
O amor, que me dizes amor?
Quem és tu que roubas silêncios?
Não és tudo?
Mas se não se pode amar mais de uma vez,
Quem és?
Diz o poeta que és fogo,
Uma chama que não apaga,
Mas chamas não descrevem paixões?,
Todos querem difundi-lo, pensá-lo, mas não basta senti-lo?
Me entendes amor?
É simples amar, quem complica é quem diz sentir.
De onde vens?
Fica mais um pouco e a solidão talvez se vá...

Não vens?

Cresces ao longe,

Não vais mais voltar?

O cachorro te espera no mesmo lugar.

O tapete dá boas vindas.

A poeira continua a mesma.

A rede na varanda.

Meu coração ainda é o mesmo,

A cama,

A coberta de lã,

Triste saudade,

Só ela mudou.

As roupas não servem mais,

As panelas já comprei.

A tarde eu chego cansada, mas passa.

Só não passa a saudade.

Só não passa a vontade.

O resto passa.

Sinto

O quadro ao longe,
A janela quebrada,
Corres etéreos.
Bramas vida.
Cadeiras quebradas,
Infância perdida,
Ou fora roubada?

Quem és tu?

Pensamento,

Lembrança,

Não posso entender –te,

Não posso julgar-te.

Tempo tens,

Cuidado garoto,

A vida passa e não volta mais.



Cante

Cante querido,
Sons,
Infláveis,
Inflamáveis desertos,
De cor e brilho.
Cante, mas não volte
Frio,
Flores,
Roupas azuis.
Chamas,
Reclamas fogo,
Esvai,
Cegueira,
Tonteira.
Sem mais.

ADEUS

Adeus meu doce amor...
Vagas lembranças se foram essa manhã,
As últimas lembranças no gole de café,
No bom dia,
No jornal,
No beijo da obrigação,
O até mais tarde.
Se foi meu ex doce amor...
A tarde nem lembrei,
Alguém me ajudou a lembrar que esqueci,
Parece estranho mais não falei de você,
Não senti vontade de ligar.
O coração ficou frio,
Os costumes mudaram,
Adeus terno amigo,
Não vou me despedir pessoalmente,
Linhas,
Letras,
Versos dizem tudo,
A D E U S.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Adeus

Certezas incertas...
Quem as pronunciou?
Mas uma vez,
Sanguia e dor.
Melancolia,
Sorrisos,
Tudo parece igual,
O Sapato velho ainda cabe,
As rosas ainda murcham,
O silêncio não diz nada.
Margaridas eternas...
Pintadas,
Felicidade,
Cumplicidade,
Adeus.
Lembranças, não mais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sorriso

Sorriso inertes,

Já não o são...

Olhos confusos,

Braços abertos,

Caminho incertos,

Roupar rotas,

Machucados,

Sem caminhos de volta.

Se não os tem, o que tens velho amigo?

Lembrança mofadas?

Desperta meu filho,

A fileira se foi,

Os livros no armários,

Os dentes manchados,

Tudo se foi...

Não há mais tempo.

Embora

Vamos embora a chuva passou,
O cavalo chegou,
Lama,
Cama,
Sem nódoas,
Sem chamas,
Vamos embora amanhã é outro dia,
A chuva vem forte,
A calma se esvai,
Os sussurros despertam,
Você não vai eu já vou...
Tarde eu chego.
Mas e a tarde onde estou?,
Talvez eu cante,
Faça rimas em versos,
Adeus meu amor.

Invernos

Frio, ninho,
Acorda manhã,
O outono se foi,
Chovendo canções,
Brilho nos olhos,
Sistemas vazios,
Fontes cheias,
Estátuas sem sol.
Pobre criança...
Se encolhe, se encosta.
Cobertor que descobre,
Enchentes,
Ensaios do caos.

De manhã

Sensato,

Quem dera,

Se os sonhos não fossem tão fortes.

Se o tempo curasse,

Se a vida passasse,

Mas só o corpo amadurece,

A alma intacta anela, espera,

Mais uma vez o sol,

O rotineiro dia,

Lá vem o cansaço,

E se vai o cansaço.

O abraço,

Os olhos insaciáveis,

O cheiro,

As folhas,

Adormeço felicidade.

Sinais

Sinais do vento,

Da calma,

Da alma,

Sinais do tempo.

Fermento,

Indaga,

Indigno,

Sem vento, sem tempo.

Sozinho,

Sarnento,

Sem voz...

Se vai,

Se perde,

Se acha.

Encanta, disfarça.

Mas a verdade ninguém vê,

Nem acha.

Correntes

As correntes nos cercam,
Inimagináveis correntes...
Torrentes,
Nos medem,
Adormecem a alma.
Saciam a calma,
Inebriam os olhos cansados.
Fortes ventos da impaciência,
Do acaso,
O oásis do desespero,
Se perde na inconstância,
E trazem a certeza,
Certeza, quem dera fosse sonho,
Fosse pluma,
Fosse chão.

Velas

As velas se apagaram,
Doces velas brancas.
Guardam a saudade.
A chama quem dera.
Mas a tela está no canto,
Em algum lugar do encanto.
O dia que se foi...
Os pássaros voltam no verão,
As flores abrirão novamente,
Tudo vai continuar igual,
Sem versos, nem prosas.

Ter

Ter você...

O quanto sonho em estar contigo,

O quanto meu coração parece cansado de esperar mais um dia...

As nuvens se vão,

A noite acaba mais uma vez.

Você não chegou...

Vives distante.

Em outro barco,

As ondas te levam pra longe.

Mais se trouxessem seria o vazio.

O vazio de ter-te

De não buscar mais nada.

As lágrimas vêem e você se perde...

Mais uma vez